Na primeira audiência do ano da
Operação Lava Jato na Justiça Federal em Curitiba, prestaram depoimento o
dono da UTC, Ricardo Pessoa, e o empresário Vinícius Veiga Borin, na
ação penal que investiga o ex-ministro Antônio Palocci. Pessoa e Borin
são testemunhas de acusação no processo que envolve, além de Palocci, o
empreiteiro Marcelo Odebrecht e mais 13 pessoas. Eles são acusados pelos
crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.
Ricardo Pessoa confirmou que pagou propina entre 2004 e 2012 em
contratos da Petrobras com a UTC. As vantagens indevidas eram repassadas
às diretorias de Serviços e de Abastecimento da estatal. Ele afirmou
também que pagou, por meio de João Vaccari Neto, propina ao Partido dos
Trabalhadores (PT), mas negou que tenha tratado com Palocci do pagamento
dessas vantagens indevidas à legenda.
Vinícius Borin, apontado como operador de offshores do
chamado “Departamento da Propina” da Odebrecht, reafirmou que operava
duas contas em que o beneficiário no papel seria Olívio Rodrigues
Junior, mas na realidade era a empreiteira quem recebia os recursos. De
acordo com Borin, que era sócio de uma consultora e representava bancos
estrangeiros no Brasil, Olívio comandava os pagamentos e a movimentação
nas contas a mando da Odebrecht.
Para o advogado de Palocci e do assessor Branislav Kontic, José
Roberto Batochio, a audiência foi positiva para a defesa. “Os dois não
foram citados nos depoimentos. Ninguém tratou de qualquer assunto
ilítico com eles. Da sorte que a defesa não poderia esperar uma
audiência melhor”, disse. A reportagem da Agência Brasil procurou o PT para comentar as acusações, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.
Questionado sobre as conclusões dos investigadores de que Palocci
seria o “italiano” – nome que aparece na planilha da Odebrecht – o
advogado rebateu: “ontem me chegou às mãos um relatório da Polícia
Federal no processo do Guido Mantega, em que em 80 páginas, a Polícia
Federal escreve pelo menos 20 vezes que o 'italiano' é um senhor chamado
Vitor Sandrí. Quem diz isso é a Polícia Federal nesse relatório. Então
estou com a Polícia Federal, quando ela diz que o 'italiano' não é o
Palocci”, afirmou.
A princípio, foram arroladas para esta quarta-feira cinco testemunhas
de acusação, mas o Ministério Público Federal (MPF) desistiu dos
depoimentos do executivo da UTC, Walmir Santana, e dos empresários
Marcos Pereira de Sousa Bilinski e Luiz Augusto França.
Palocci, Marcelo Odebrecht e os demais réus foram denunciados após a
35ª fase da Lava Jato, deflagrada em setembro do ano passado, que
resultou na prisão do ex-ministo. Palocci e Marcelo Odebrecht estão
presos na carceragem da Polícia Federal em Curitiba.
De acordo o MPF, Palocci e a construtora Odebrecht teriam
estabelecido um “amplo e permanente esquema de corrupção” entre 2006 e
2015. O esquema envolveria o pagamento de propina ao PT. Os procuradores
afirmam que o ex-ministro teria atuado de modo a garantir que a
empreiteira vencesse licitação da Petrobras para a contratação de 21
sondas.
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