sexta-feira, 19 de maio de 2017
A RENÚNCIA DO PRESIDENTE!!!
Um presidente da República aceita receber a visita de um megaempresário alvo de cinco operações da Polícia Federal que apuram o pagamento de milhões em propinas entregues a autoridades públicas, inclusive a aliados do próprio presidente. O encontro não é às claras, no Palácio do Planalto, com agenda pública. Ele se dá quase às onze horas da noite na residência do presidente, de forma clandestina. Ao sair, o empresário combina novos encontros do tipo, e se vangloria do esquema que deu certo: "Fui chegando, eles abriram. Nem perguntaram o meu nome". A simples decisão de recebê-lo já guardaria boa dose de escândalo. Mas houve mais, muito mais.
Em diálogo que revela intimidade entre os dois, o empresário quer saber como anda a relação do presidente com um ex-deputado, ex-aliado do presidente, preso há meses, acusado de se deixar corromper por milhões. Este ex-deputado, em outro inquérito, é acusado inclusive de receber propina do empresário para facilitar a vida de suas empresas no FI-FGTS da Caixa Econômica Federal. O presidente se mostra amuado, e lembra que o ex-deputado tentou fustigá-lo, ao torná-lo testemunha de defesa com perguntas que o próprio juiz vetou por acreditar que elas tinham por objetivo intimidá-lo.
Ao ouvir esse relato do presidente, o empresário procura tranquilizá-lo mostrando os préstimos que fez. Diz, abertamente, que "zerou" as "pendências" com o ex-deputado, que tinha ido "firme" contra ele na cobrança. E que ao zerar as pendências, tirou-o "da frente". Mais tarde um pouco, em outro trecho, diz que conseguiu "ficar de bem" com ele. Como o presidente reage? Com um incentivo: "Tem que manter isso, viu?"
Não é preciso grande esforço para entender o significado dessa sequência de diálogos. Afinal, que pendências, senão o pagamento de propinas ainda não entregues, pode ter o empresário com um ex-deputado preso por corrupção? Que objetivo terá tido o empresário quando afirmou que, zerando as pendências, conseguiu ficar de bem com ele, senão tranquilizar o presidente quanto ao fato de que, com aquelas providências, conseguiu mantê-lo quieto? E, por fim, que significado pode ter o incentivo do presidente ("tem que manter isso, viu"), senão uma advertência para que o empresário continue com as pendências zeradas, tirando o ex-deputado da frente e se mantendo bem com ele?
Esses diálogos falam por si e bastariam para fazer ruir a imagem de integridade moral que o presidente tem orgulho de cultivar. Mas houve mais. O empresário relata as suas agruras com a Justiça, e, abertamente, narra ao presidente alguns êxitos que suas práticas de corrupção lhe permitiram ter. Conta que tem em mãos dois juízes, que lhe facilitam a vida, e um procurador, que lhe repassa informações. Um escândalo. O que faz o presidente? Expulsa o empresário de sua casa e o denuncia as autoridades? Não. Exclama, satisfeito: "Ótimo, ótimo".
Não é tudo, porém. Em menos de 40 minutos de conversa, o empresário ainda encontra tempo para se queixar de um ex-funcionário seu, atual ministro da Fazenda. Diz, com desfaçatez, que tem enfrentado resistência no ministro da Fazenda para conseguir a troca dos mais altos funcionários do governo na área econômica: o secretário da Receita Federal, a presidente do BNDES, o presidente do Cade e o presidente da CVM. Pede, então, que seja autorizado a usar o nome do presidente quando for novamente ao ministro da Fazenda com tais pleitos. O que faz o presidente? Manda-o embora, indignado? Não, de forma alguma. O presidente autoriza: "Pode fazer".
Este jornal apoiou desde o primeiro instante o projeto reformista do presidente Michel Temer. Acreditou e acredita que, mais do que dele, o projeto é dos brasileiros, porque somente ele fará o Brasil encontrar o caminho do crescimento, fundamental para o bem-estar de todos os brasileiros. As reformas são essenciais para conduzir o país para a estabilidade política, para a paz social e para o normal funcionamento de nossas instituições. Tal projeto fará o país chegar a 2018 maduro para fazer a escolha do futuro presidente do país num ambiente de normalidade política e econômica.
Mas a crença nesse projeto não pode levar ao autoengano, à cegueira, a virar as costas para a verdade. Não pode levar ao desrespeito a princípios morais e éticos. Esses diálogos expõem, com clareza cristalina, o significado do encontro clandestino do presidente Michel Temer com o empresário Joesley Batista. Ao abrir as portas de sua casa ao empresário, o presidente abriu também as portas para a sua derrocada. E tornou verossímeis as delações da Odebrecht, divulgadas recentemente, e as de Joesley, que vieram agora a público.
Nenhum cidadão, cônscio das obrigações da cidadania, pode deixar de reconhecer que o presidente perdeu as condições morais, éticas, políticas e administrativas para continuar governando o Brasil. Há os que pensam que o fim deste governo provocará, mais uma vez, o atraso da tão esperada estabilidade, do tão almejado crescimento econômico, da tão sonhada paz social. Mas é justamente o contrário. A realidade não é aquilo que sonhamos, mas aquilo que vivemos. Fingir que o escândalo não passa de uma inocente conversa entre amigos, iludir-se achando que é melhor tapar o nariz e ver as reformas logo aprovadas, tomar o caminho hipócrita de que nada tão fora da rotina aconteceu não é uma opção. Fazer isso, além de contribuir para a perpetuação de práticas que têm sido a desgraça do nosso país, não apressará o projeto de reformas de que o Brasil necessita desesperadamente. Será, isso sim, a razão para que ele seja mais uma vez postergado. Só um governo com condições morais e éticas pode levá-lo adiante. Quanto mais rapidamente esse novo governo estiver instalado, de acordo com o que determina a Constituição, tanto melhor.
A renúncia é uma decisão unilateral do presidente. Se desejar, não o que é melhor para si, mas para o país, esta acabará sendo a decisão que Michel Temer tomará. É o que os cidadãos de bem esperam dele. Se não o fizer, arrastará o Brasil a uma crise política ainda mais profunda que, ninguém se engane, chegará, contudo, ao mesmo resultado, seja pelo impeachment, seja por denúncia acolhida pelo Supremo Tribunal Federal. O caminho pela frente não será fácil. Mas, se há um consolo, é que a Constituição cidadã de 1988 tem o roteiro para percorrê-lo. O Brasil deve se manter integralmente fiel a ela, sem inovações ou atalhos, e enfrentar a realidade sem ilusões vãs. E, passo a passo, chegar ao futuro de bem-estar que toda a nação deseja.
Em diálogo que revela intimidade entre os dois, o empresário quer saber como anda a relação do presidente com um ex-deputado, ex-aliado do presidente, preso há meses, acusado de se deixar corromper por milhões. Este ex-deputado, em outro inquérito, é acusado inclusive de receber propina do empresário para facilitar a vida de suas empresas no FI-FGTS da Caixa Econômica Federal. O presidente se mostra amuado, e lembra que o ex-deputado tentou fustigá-lo, ao torná-lo testemunha de defesa com perguntas que o próprio juiz vetou por acreditar que elas tinham por objetivo intimidá-lo.
Ao ouvir esse relato do presidente, o empresário procura tranquilizá-lo mostrando os préstimos que fez. Diz, abertamente, que "zerou" as "pendências" com o ex-deputado, que tinha ido "firme" contra ele na cobrança. E que ao zerar as pendências, tirou-o "da frente". Mais tarde um pouco, em outro trecho, diz que conseguiu "ficar de bem" com ele. Como o presidente reage? Com um incentivo: "Tem que manter isso, viu?"
Não é preciso grande esforço para entender o significado dessa sequência de diálogos. Afinal, que pendências, senão o pagamento de propinas ainda não entregues, pode ter o empresário com um ex-deputado preso por corrupção? Que objetivo terá tido o empresário quando afirmou que, zerando as pendências, conseguiu ficar de bem com ele, senão tranquilizar o presidente quanto ao fato de que, com aquelas providências, conseguiu mantê-lo quieto? E, por fim, que significado pode ter o incentivo do presidente ("tem que manter isso, viu"), senão uma advertência para que o empresário continue com as pendências zeradas, tirando o ex-deputado da frente e se mantendo bem com ele?
Esses diálogos falam por si e bastariam para fazer ruir a imagem de integridade moral que o presidente tem orgulho de cultivar. Mas houve mais. O empresário relata as suas agruras com a Justiça, e, abertamente, narra ao presidente alguns êxitos que suas práticas de corrupção lhe permitiram ter. Conta que tem em mãos dois juízes, que lhe facilitam a vida, e um procurador, que lhe repassa informações. Um escândalo. O que faz o presidente? Expulsa o empresário de sua casa e o denuncia as autoridades? Não. Exclama, satisfeito: "Ótimo, ótimo".
Não é tudo, porém. Em menos de 40 minutos de conversa, o empresário ainda encontra tempo para se queixar de um ex-funcionário seu, atual ministro da Fazenda. Diz, com desfaçatez, que tem enfrentado resistência no ministro da Fazenda para conseguir a troca dos mais altos funcionários do governo na área econômica: o secretário da Receita Federal, a presidente do BNDES, o presidente do Cade e o presidente da CVM. Pede, então, que seja autorizado a usar o nome do presidente quando for novamente ao ministro da Fazenda com tais pleitos. O que faz o presidente? Manda-o embora, indignado? Não, de forma alguma. O presidente autoriza: "Pode fazer".
Este jornal apoiou desde o primeiro instante o projeto reformista do presidente Michel Temer. Acreditou e acredita que, mais do que dele, o projeto é dos brasileiros, porque somente ele fará o Brasil encontrar o caminho do crescimento, fundamental para o bem-estar de todos os brasileiros. As reformas são essenciais para conduzir o país para a estabilidade política, para a paz social e para o normal funcionamento de nossas instituições. Tal projeto fará o país chegar a 2018 maduro para fazer a escolha do futuro presidente do país num ambiente de normalidade política e econômica.
Mas a crença nesse projeto não pode levar ao autoengano, à cegueira, a virar as costas para a verdade. Não pode levar ao desrespeito a princípios morais e éticos. Esses diálogos expõem, com clareza cristalina, o significado do encontro clandestino do presidente Michel Temer com o empresário Joesley Batista. Ao abrir as portas de sua casa ao empresário, o presidente abriu também as portas para a sua derrocada. E tornou verossímeis as delações da Odebrecht, divulgadas recentemente, e as de Joesley, que vieram agora a público.
Nenhum cidadão, cônscio das obrigações da cidadania, pode deixar de reconhecer que o presidente perdeu as condições morais, éticas, políticas e administrativas para continuar governando o Brasil. Há os que pensam que o fim deste governo provocará, mais uma vez, o atraso da tão esperada estabilidade, do tão almejado crescimento econômico, da tão sonhada paz social. Mas é justamente o contrário. A realidade não é aquilo que sonhamos, mas aquilo que vivemos. Fingir que o escândalo não passa de uma inocente conversa entre amigos, iludir-se achando que é melhor tapar o nariz e ver as reformas logo aprovadas, tomar o caminho hipócrita de que nada tão fora da rotina aconteceu não é uma opção. Fazer isso, além de contribuir para a perpetuação de práticas que têm sido a desgraça do nosso país, não apressará o projeto de reformas de que o Brasil necessita desesperadamente. Será, isso sim, a razão para que ele seja mais uma vez postergado. Só um governo com condições morais e éticas pode levá-lo adiante. Quanto mais rapidamente esse novo governo estiver instalado, de acordo com o que determina a Constituição, tanto melhor.
A renúncia é uma decisão unilateral do presidente. Se desejar, não o que é melhor para si, mas para o país, esta acabará sendo a decisão que Michel Temer tomará. É o que os cidadãos de bem esperam dele. Se não o fizer, arrastará o Brasil a uma crise política ainda mais profunda que, ninguém se engane, chegará, contudo, ao mesmo resultado, seja pelo impeachment, seja por denúncia acolhida pelo Supremo Tribunal Federal. O caminho pela frente não será fácil. Mas, se há um consolo, é que a Constituição cidadã de 1988 tem o roteiro para percorrê-lo. O Brasil deve se manter integralmente fiel a ela, sem inovações ou atalhos, e enfrentar a realidade sem ilusões vãs. E, passo a passo, chegar ao futuro de bem-estar que toda a nação deseja.
quinta-feira, 18 de maio de 2017
Advogados abandonam caso de Eduardo Cunha na Lava Jato

O escritório do advogado Marlus Arns de Oliveira deixou a defesa do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) nesta quinta-feira (18). A decisão acontece em seguida à denúncia de que o deputado cassado recebeu dinheiro para permanecer em silêncio na prisão. As informações são do G1.
De acordo com a reportagem, Oliveira não revelou o motivo que o levou a abandonar o caso. No entanto, o escritório permanece na defesa da mulher do deputado, a jornalista Cláudia Cruz. Ela responde a uma ação criminal e a uma ação por improbidade administrativa em Curitiba.
Condenado a 15 anos e quatro meses de prisão, Cunha está detido no Complexo Médico-Penal de Curitiba desde outubro de 2016.
quarta-feira, 17 de maio de 2017
'Vai acabar todo mundo preso', disse delator que denunciou Temer

O empresário Joesley Batista, um dos donos da JBF, teria previsto que "todo mundo acabaria preso" após a delação premiada que ele firmou com o Ministério Público Federal.
Segundo informações da coluna Expresso, do site da revista Época, o comentário foi feito durante conversa em 26 de abril, antes da finalização do acordo com o MPF.
Nesta quarta-feira (17), uma reportagem do jornal 'O Globo' revelou que o empresário gravou o presidente autorizando pagamento para comprar o silêncio do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha e do doleiro Lúcio Funaro.
Em ato falho, William Bonner chama Temer de ex-presidente

O jornalista William Bonner cometeu um ato falho na edição desta quarta-feira (18) do Jornal Nacional, que abriu com a notícia sobre delação premiada de Joesley Batista, dono do grupo JBS, que apresentou um áudio em que Michel Temer autorizou a compra de silêncio de Eduardo Cunha. Na gafe, o apresentador do telejornal chamou Temer de ex-presidente.
O clima do noticiário foi tenso. De acordo com a Veja, Bonner não se desculpou pela falha.
Aécio Neves pediu R$ 2 milhões a dono da JBS, revela gravação

Um dos donos da JBS, Joesley Batista, prestou depoimento no âmbito da Lava Jato e, entre as informações, revelou que Aécio Neves pediu R$ 2 milhões ao empresário, para pagar sua defesa na Lava-Jato. As informações são do jornal O Globo.
A reportagem apurou que foi entregue à PGR uma gravação da conversa, que dura meia hora e foi feita no dia 24 de março, em São Paulo.
Essa não foi a primeira vez que o assunto foi abordado. Antes, a irmã de Aécio, Andréa Neves, entrou em contato com o empresário - através de telefone e mensagens no aplicativo WhatsApp, dizendo que o irmão seria defendido pelo criminalista Alberto Toron.
O empresário aceitou o pedido de Aécio e questionou quem seria a pessoa encarregada de pegar a mala com o dinheiro. "Se for você a pegar em mãos, vou eu mesmo entregar. Mas, se você mandar alguém de sua confiança, mando alguém da minha confiança", disse propôs Joesley.
Aécio, então, respondeu: "Tem que ser um que a gente mata ele antes de fazer delação. Vai ser o Fred com um cara seu. Vamos combinar o Fred com um cara seu porque ele sai de lá e vai no cara. E você vai me dar uma ajuda do caralho". Fred é Frederico Pacheco de Medeiros, seu primo.
Da parte do empresário, foi o diretor de Relações Institucionais da JBS, Ricardo Saud, que levou a mala. Ele é uma das sete pessoas da JBS que acertaram a delação. Para chegar na quantia desejada por Aécio, foram feitas quatro entregas de R$ 500 mil. Segundo apurou O Globo, a PF filmou uma dessas entregas.
A PGR afirma que não existe elemento para dizer que esse valor foi, de fato, pago a algum advogado. A PF rastreou o dinheiro, que foi depositado em uma empresa do de Zeze Perrella, senador tucano.
Delator grava Temer autorizando compra do silêncio de Cunha

Joesley Batista e o seu irmão Wesley, donos da JBS, prestaram depoimento na última quarta-feira (10) para o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com apuração do jornal O Globo, eles relataram que têm uma gravação na qual o presidente Michel Temer aparece autorizando que se compre o silêncio de Eduardo Cunha
Além dos dois, estavam presentes mais cinco pessoas, todas da empresa e que participaram da delação. A delação ainda precisa ser homologada pelo STF.
O diálogo aconteceu entre Temer e Joesley. Nele, o peemedebista indica o deputado e colega de partido Rodrigo Rocha Loures como o encarregado de resolver um assunto J&F, holding que controla a JBS. Depois, o deputado recebe R$ 500 mil, que foram enviados por Joesley.
Em um dos trechos da conversa gravada, o empresário diz que está pagando um valor mensal para Cunha e, também, ao operador Lúcio Funaro. O motivo da mesada é que ambos fiquem calados. Ao ter essa informação, Temer responde: "Tem que manter isso, viu?".
Na mesma delação, o empresário revela que Aécio Neves pediu R$ 2 milhões, que foram pagos em quatro remessas.
quarta-feira, 10 de maio de 2017
Depoimento de Lula a Moro: conheça as teses de acusação e de defesa

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva presta depoimento nesta quarta-feira (10) ao juiz federal Sérgio Moro, em Curitiba, sobre o caso que envolve um triplex no edifício Solaris, no Guarujá. O imóvel teria sido usado como moeda de trocar para que a construtora OAS atuasse em obras da Petrobras. As informações são do El País Brasil.
A denúncia foi apresentada em setembro de 2016 pelo procurador Deltan Dallagnol. Na ocasião, ele descreveu o ex-presidente como "maestro de uma organização criminosa", usando um power-point polêmico em que palavras como "José Dirceu", "Petrolão", "Mensalão" e "Vértice comum" convergiam para o nome de Lula.
Formalmente o apartamento está registrado em nome da OAS. De acordo com a denúncia da força-tarefa da Lava Jato, o imóvel estaria "reservado" para Lula. O fato aparece em em depoimentos de ex-executivos da empresa, inclusive ex-presidente da empreiteira, Leo Pinheiro, que negocia um acordo de delação premiada com a Justiça.
A defesa de Pinheiro entregou à Justiça documentos para corroborar com a tese de que Lula seria o beneficiário final do imóvel no litoral paulista. Entre as provas, há registros de que veículos registrados em nome do Instituto Lula passaram pelos pedágios rumo a Guarujá entre 2011 e 2013. Os documentos, porém, não apontam que eles se dirigiram para o edifício Solaris. Também há registros de e-mail que confirmam reuniões entre Pinheiro e Lula no período.
Já a defesa de Lula argumenta que as provas concretas apresentadas são bastante tênues e que Lula nunca foi proprietário. Os advogados do ex-presidente alegam que os documentos apresentados “provam que a empresa [OAS] não somente era dona, mas usava seu apartamento tríplex no Guarujá como garantia em contratos com terceiros”.
“Se o apartamento estivesse destinado ao ex-presidente da República, a OAS jamais o teria oferecido como garantia em um contrato”, afirmam os advogados de Lula.
Lula pode mentir em depoimento a Moro sem sofrer punição; entenda

O depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao juiz Sergio Moro, nesta quarta-feira (10), é cercado de expectativa, mas pode acabar frustrando quem espera por grandes embates entre o magistrado e o petista.
O interrogatório como o que Lula passará é visto pela lei brasileira como um ato de defesa. Por isso, o ex-presidente pode permanecer em silêncio e até mesmo mentir sem ser penalizado. O direito é garantido pelo artigo 5º da Constituição Federal, que prevê o direito à ampla defesa dos réus.
O advogado criminal Marcelo Lebre, que também é professor da Escola da Magistratura Federal do Paraná, explica que o princípio foi incorporado ao Código do Processo Penal e mudou o caráter dos julgamentos.
“Com alterações legislativas no CPP [Código do Processo Penal] a partir de 2008, o interrogatório passou a ser visto como ato de defesa, um mecanismo de defesa – razão pela qual o réu pode ficar em silêncio e até mentir, se for o caso, porque ele não presta compromisso de dizer a verdade”, explicou Lebre, em entrevista ao jornal Gazeta do Povo.
Segundo este princípio, o réu pode mentir no interrogatório de um processo penal. As testemunhas, por outro lado, são obrigadas a dizer a verdade. Caso o juiz reconheça que alguma delas prestou um depoimento falso, tem de remeter o caso para a polícia abrir um inquérito.
"Quero ser julgado por provas", diz Lula durante ato em Curitiba

Após quase cinco horas de depoimento ao juiz Sergio Moro, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi até a praça Santos Andrade, em frente a Universidade Federal do Paraná (UFPR), para participar de uma manifestação a seu favor.
Lula chegou acompanhado da ex-presidente Dilma Rousseff e ambos foram recebidos com gritos de apoio pelos manifestantes.
"É uma emoção imensa ver vocês aqui", afirmou Dilma ao iniciar o seu discurso para condenar as reformas da Previdência e Trabalhista proposta pela governo de Michel Temer.
Em seguida, Lula assumiu o microfone e foi fortemente aplaudido, com gritos e foguetes. "Lula, guerreiro, do povo brasileiro", gritavam os manifestantes.
O ex-presidente iniciou a sua fala agradecendo a presença dos apoiadores que se deslocarem de diversas regiões do Brasil para estarem presentes em Curitiba.
Ao comentar sobre o seu depoimento ao juiz Sergio Moro, Lula afirmou: "Eu não quero ser julgado por interpretações, eu quero ser julgado por provas".
"Eu irei em quantas audiências for necessário, eu prestarei quantos depoimentos for necessário", completou.
De acordo com o Mídia Ninja, a manifestação reúne cerca de 50 mil participantes.
A manifestação de apoio a Lula conta com a presença de lideranças nacionais do PT, entra elas os ex-ministros Gilberto Carvalho, Luis Marinho e Maria do Rosário; os senadores Paulo Rocha, Lindberg Faria, Gleisi Hoffmann e Vanessa Graziotin; os deputados federais Carlos Zarattini e Paulo Teixeira; Guilherme Boulos, coordenador do MTST, e João Pedro Stédile, da coordenação nacional do MST; Tião Viana, governador do Acre; Wellington Dias, governador do Piauí; e Rui Falcão, presidente do PT.
Lula nega ser dono do tríplex e reforça candidatura em 2018

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva prestou depoimento nesta quarta-feira (10). Ele ficou frente a frente com o juiz federal Sérgio Moro em uma sessão que durou mais de cinco horas.
No primeiro vídeo liberado pela Justiça Federal, Moro destacou que o depoimento é um ato normal no processo e, ainda, que era a oportunidade de Lula esclarecer sua versão dos acontecimentos.
"Não tem pergunta difícil", disse Lula já no início do depoimento, afirmando que responderia a tudo e não usaria o direito de ficar em silêncio.
Antes de começarem as perguntas, Moro explicou quais as denúncias contra o petista. A primeira parte da acusação é que Lula saberia sobre o esquema de corrupção envolvendo a Petrobras. Além disso, o ex-presidente seria questionado sobre a acusação de que foi beneficiado em um esquema da OAS, recebendo propinas, que foram pagas através do tríplex no Guarujá.
Lula reforçou que pretende ser candidato em 2018, nas eleições presidenciais. O petista já havia manifestado a intenção em diversas ocasiões.
Agora, depois de tudo o que está acontecendo, estou dizendo em alto e bom som que vou quer ser candidato em 2018."Tríplex
"Nunca houve intenção de adquirir o tríplex", afirmou Lula ao ser questionado sobre a propriedade. "Tomei conhecimento desse apartamento em 2005 e voltei a tomar somente em 2013", prosseguiu o petista. Lula esclareceu que, em todas as ocasiões, era referido o apartamento simples, cuja cota foi comprada por dona Marisa Letícia, sua esposa, e não o tríplex.
O Ministério Público Federal acusa Lula de ter recebido R$ 3,7 milhões em benefício próprio, através do triplex 164-A no Edifício Solaris, no Guarujá.
Lula confirmou que ele e Marisa chegaram a visitar o local algumas vezes e que decidiram não ficar com o imóvel, sem, no entanto, esclarecer de quem foi a ideia. O petista explicou que conversou com Leo Pinheiro, ex-presidente da OAS, mas que não aceitou que o local fosse reformado para sua família.
"Não sei se você tem mulher, mas nem sempre elas nos falam o que vão fazer", disse o ex-presidente ao argumentar que ele próprio não tinha conhecimento de tudo. "A verdade é o seguinte: não solicitei, não recebi, não paguei e não tenho nenhum tríplex", continuou.
Imagino que o Ministério Público vai na hora que for falar apresentar as provas. Eles devem ter pelo menos algum documento que prove o direito jurídico de propriedade para dizer que é meu o apartamento."
Destruição de provas
Em outro trecho, Moro aborta a questão de uma suposta destruição de prova. A acusação fez parte da delação de Leo Pinheiro. "Jamais disse para o Leo o que ele falou. Aliás, é outra coisa, Doutor Moro, que quero esclarecer", respondeu Lula, complementando que a destruição de documentos "nunca aconteceu e nunca vai acontecer. O petista explicou que os encontros com Pinheiro aconteceram sempre no Instituto Lula e que eram para "discutir viagem, discutir a questão do apartamento, discussões sobre o futuro da economia brasileira".
Sítio em Atibaia
Em um dos momentos, Sergio Moro fez uma pergunta sobre o sítio em Atibaia, cuja propriedade é atribuída a Lula. "Esse é um outro processo, Dr, que quando chegar o inquérito, eu terei muito muito prazer de falar sobre isso", disse o petista, como resposta.
Vaccari Neto
Quando foi questionado sobre João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, Lula demonstrou irritação: "Não conversava de finanças do PT. Eu não era da direção do PT. Ponto". Ao ser perguntado se havia conversado com Vaccari Neto sobre o recebimento de vantagens indevidas, foi categórico: "Não importa se eu perguntei ou não. Ele sempre negou. Negou pela imprensa, negou publicamente".
Para acabar com a nossa polêmica aqui, vamos dizer. Eu perguntei e ele disse que não. (...) Tá bem assim? Porque você precisava de qualquer jeito uma resposta e então eu estou dando a resposta. Ia ficar nesse trocadilho entre o procurador e um ex-presidente, então eu quero resolver isso. (...) Espero que não seja por essa resposta minha que eu seja condenado".Considerações finais
Depois de mais de quatro horas de perguntas, Lula pediu a palavra para proferir considerações finais.
"Estou sendo vítima da maior caçada política que um político brasileiro já teve", iniciou Lula. "Sou julgado pela construção de um Power Point mentiroso, aquilo é ilação pura", afirmou.
terça-feira, 9 de maio de 2017
Defesa de Lula recorre ao STJ para adiar julgamento

A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silvo entrou com três pedidos de habeas corpus, no início da noite desta terça-feira (9), no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Os advogados do petista recorrem das decisões do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4).
PUB
De acordo com o jornal O Glob, a defesa apresentou os pedidos às 17h40, 18h04 e 18h39.
A publicação explica que o primeiro pedido (HC nº 398570) solicita que o STJ considere o juiz federal Sérgio Moro suspeito para julgar a ação penal. O segundo documento (HC nº 398577) argumenta sobre o direito de gravar todo o depoimento de Lula com uma equipe independente. Já o terceiro pedido (HC nº 398589), além de requerer o adiamento do depoimento no processo, pede "pleno acesso aos documentos" e, após isso, 90 dias para a análise.
O TRF-4 já negou todos os pedidos apresentados pela defesa do ex-presidente.
Agora, os três autos foram remetidos para a 5ª turma do STJ e serão relatados pelo ministro Felix Fisher.
domingo, 7 de maio de 2017
quarta-feira, 3 de maio de 2017
Planalto avalia que situação de Renan chegou a 'nível insustentável'

Após acordo que resultou no atraso da votação da reforma trabalhista no Senado, o Palácio do Planalto avalia que a situação de Renan Calheiros (PMDB-AL) como líder do PMDB na Casa chegou a um "nível insustentável".
PUB
Nas palavras de auxiliares do presidente Michel Temer, o quadro alcançou seu "limite" com o discurso de Renan contra a reforma trabalhista, na semana passada, e à articulação do peemedebista nesta quarta-feira (4) que levou o texto a tramitar em mais uma comissão no Senado, atrasando, assim, sua aprovação em pelo menos um mês.A ordem inicial de Temer era apenas "monitorar" Renan até a votação da reforma trabalhista e não estimular qualquer movimento para tirá-lo do posto, o que era considerado "traumático" pelo presidente.
A avaliação, agora, é de que o peemedebista tem "constrangido" senadores da bancada ao se posicionar publicamente contra as principais bandeiras do governo e que, portanto, pode ser o caso de substituí-lo.
Com a mudança de ares no Planalto, a tensão no Senado aumentou e nove senadores peemedebistas, inclusive o líder do governo na Casa, Romero Jucá (PMDB-RR), fizeram uma reunião reservada no fim da tarde desta quarta para discutir a situação da liderança do partido.
Segundo a reportagem apurou, o senador Eduardo Braga (PMDB-AM) chegou a passar uma lista de apoio a Renan e conseguiu a assinatura de oito dos 22 senadores da bancada da sigla, inclusive a de Jucá.
A bancada cobrou o líder do governo e chegou a pedir uma reunião com Renan ainda para a noite desta quarta (4). Ele, por sua vez, disse que o encontro deveria ocorrer somente na próxima terça.
Senadores que participaram da primeira reunião disseram, em caráter reservado, que a bancada quer "encostar Renan na parede" e cobrar uma mudança de postura em troca de apoiarem sua permanência no cargo.
OPOSIÇÃO
Em constante colisão com o governo, Renan tem se manifestado publicamente contra as duas principais bandeiras de Temer, as reformas trabalhista e previdenciária.
A maior parte da bancada do PMDB diz que não tem sido ouvida pelo atual líder e que ele precisa representar a opinião majoritária ao se colocar sobre temas importantes.
Nesta quarta (4), Renan se reuniu com dirigentes de centrais sindicais e fez novo discurso contra a reforma trabalhista e o governo Temer.
Questionado por jornalistas sobre a bancada do PMDB corroborar sua opinião contra a reforma, Renan fez uma ameaça. "Você só é líder de bancada quando verbaliza o pensamento majoritário. Agora, se for incompatível defender os trabalhadores no exercício da liderança do PMDB, vocês não duvidem do que é que vai acontecer." Com informações da Folhapress.
Cármen Lúcia: 'A Lava Jato não está ameaçada'

A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, garantiu que a Operação Lava Jato não corre riscos, mesmo com as recentes revogações de prisões preventivas de condenados em primeira instância pelo juiz Sérgio Moro.
"A Lava Jato não está ameaçada, não estará. Eu espero que aquilo que cantei como hino nacional a vida inteira, nós do Supremo saibamos garantir aos senhores cidadãos brasileiros, de quem somos servidores: verás que um filho teu não foge à luta", afirmou a ministra em entrevista ao programa "Conversa com Bial", da Rede Globo, na madrugada desta quarta-feira, 3.
A descontraída conversa com o apresentador Pedro Bial foi gravada na segunda-feira, 1 - antes, portanto, da decisão do STF que deu liberdade ao ex-ministro José Dirceu, na terça-feira, 2. Na semana passada, o Supremo mandou soltar outros três presos: o pecuarista José Carlos Bumlai, o ex-tesoureiro do PP João Cláudio Genu e o empresário Eike Batista.
A ministra também foi questionada pelo apresentador sobre a possibilidade do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva ser candidato à Presidência em 2018, mas preferiu não avaliar a situação jurídica do petista. "Depende se ele for réu em primeira instância, se for em segunda instância, se o TSE, a Justiça Eleitoral, vai decidir sobre a Lei da Ficha Limpa... Não há como, abstratamente, dizer isto", explicou. A ministra ainda afirmou que a legislação eleitoral a ser aplicada em 2018 pode mudar até 16 de setembro.
"Bolsonaro vai ter um limite, eu espero", diz Fernando Henrique

Após a divulgação da pesquisa Datafolha com as intenções de voto para as próximas eleições presidenciais, em que Lula lidera, com 30% da preferência dos eleitores, e Bolsonaro aparece em segundo, com 15%, o presidente Fernando Henrique Cardoso se pronunciou.
PUB
Na mesma pesquisa, os tucanos Aécio Neves e Geraldo Alckmin caíram e só chegaram a 8% e 6%, respectivamente, das intenções de votos.
Em entrevista ao jornal O Globo, o ex-presidente disse acreditar que o deputado federal Jair Bolsonaro tenha um teto de votos a receber, o que pode inviabilizar uma eventual vitória, mas demonstrou preocupação.
"Claro que preocupa. Bolsonaro vai ter um limite, eu espero", afirma o tucano.
Fernando Henrique também fez questão de considerar que a eleição está distante. "Qualquer prognóstico agora não tem base. Primeiro vamos ver quem fica em pé depois da Lava-Jato. Depois vamos ver o que faz. E se ninguém ficar em pé você fecha a porta e vai embora", brinca o tucano.
Questionado sobre a possibilidade de o PSDB lançar o nome de João Doria, prefeito de São Paulo, Fernando Henrique desconversou. "Também tem outros crescendo. É cedo. O que é asfixiante hoje é o desemprego no Brasil. E o Congresso tem que votar leis necessárias para o Brasil. O resto é para ver depois. Nós não temos um horizonte", afirmou.